A arte das tranças afro que brota das mãos de Israiane Brito

Foto: Divulgação 
Ser uma trancista é ser uma contadora de histórias que soam há anos, literalmente, na cabeça das pessoas como instrumento de beleza e resistência. Com seus significados cultural e histórico, as tranças de cabelo afro têm uma origem milenar na África Subsaariana e possuem um significado cultural que vai muito além da estética, identidade, status social, etnia, resistência e ancestralidade. 
 
Imagine que todos os fios de uma trança nagô são acordes de uma canção com objetivo de fazer com que aquela história fosse escutada. Tudo isso se sobressai das mãos hábeis de Israiane Brito - uma jovem baiana que conseguiu o talento de mover os dedos e projetar autoestima em pessoas que tiveram esse direito retirados por conta dos preconceitos da vida. Estudante de pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Juazeiro, ela tem ganhado a vida “escrevendo” o que ela chama de arte no couro cabeludo de suas clientes. Cada divisão é um parágrafo de uma história que começou muito antes dela nascer.
 
Foto: Luan Barros 

Israiane conta que as tranças surgiram em sua vida durante a adolescência. Aos 5 anos de idade, ela começou alisar as madeixas, repetindo os movimentos da mãe que tinha cabelos crespos, mas optava por alisá-los frequentemente. “Sempre que precisava me arrumar, já na adolescência, eu ia até o salão e alisava os cabelos, influenciada por minha mãe”, lembra Israiane. Aos 12 anos, a garota passou por uma situação desconfortável quando foi a um salão fazer um penteado, a sua cabelereira usou bastante gel. “Na hora do procedimento, ela apertou bastante meu cabelo que acabou ferindo o couro cabeludo”, recorda.
 
Ao chegar em casa, insatisfeita com o serviço, Israiane acabou desfazendo o penteado. De imediato, redefiniu a forma como iria usar o novo penteado desde que lhe fizesse sentir-se bem consigo mesma. Desde a adolescência, a menina vaidosa, teve de encarar diversas situações de racismo por conta de seu cabelo. “Por conta do volume, os colegas de escola chegaram a esconder coisas até o couro cabeludo, insinuando que eu já poderia roubar”, comenta Israiane. Só que ela desprezava a brincadeira de mau gosto e rebatia as ofensas em grande estilo, fazendo penteados ao mesmo tempo que aprendia a fazer tranças “descoladas” que acabam sendo elogiadas por outros amigos.
 
Foto: Luan Barros 

O primeiro contato com uma trancista foi com a amiga Vitória Nascimento, com quem passou a fazer tranças em seus cabelos, utilizando linhas de crochê. Em frente ao espelho, Israiane prestava total atenção, contando cada fio, observando a praticidade até a finalização do trabalho. Já o segundo penteado, foi por manipulado por ela mesma, aplicando o aprendizado diante a vasta experiência que adquiriu com a colega. Aos poucos, foi se aperfeiçoando nas ideias de penteados indo de tranças nagô (raiz) a box braids com cachos, a estilos mais elaborados como coques com tranças.
 
DEDICAÇÃO E PROFISSIONALISMO
 
Quando cursava o terceiro ano do Ensino Médio, Israiane se viu presa por uma pandemia da Covid-19, sem poder trabalhar. Naquele período, se sentiu perdida sem saber que caminho profissional seguir em meio tantos problemas que afetavam a humanidade. Foi aí que lhe vieram os questionamentos: Que profissão seguir depois? Que caminho teria sem poder desfrutar do último ano em sua escola? O que seria necessário para abrir portas em sua vida acadêmica e profissional?

De repente, ela recebeu o convite de uma amiga para que trabalhasse em seu cabelo e a ajudasse a passar por sua transição capilar – serviço que levaria 12 horas de trabalho. De certa forma, dolorido e demorado, mas recompensado. Foi o ponto de partida que a fez seguir o caminho do profissionalismo, focando no talento que tinha em mãos. Investiu em materiais básicos, arrumou um lugar para trabalhar e passou a receber suas primeiras clientes, multiplicando a experiência com cuidado e excelência. 

Foto: Luan Barros 

A cada trabalho que faz, Israiane percebe traços de arte e expressividade nas tranças produzidas. “Minhas mãos gritam, elas vertem a minha arte, são minha ferramenta de trabalho, meu meio de condução, comunicação e expressão”, diz ela, agora especialista em tranças artísticas. Conforme o pedido dos clientes, ela houve as sugestões, troca ideias e faz o possível para resgatar a autoestima de cada um/a, reafirmando a beleza que já vem em cada menina e menino negro de cabelos crespos e cacheados.
 
O amor por seu trabalho endossa, na prática, o que a filósofa Djamila Ribeiro teoriza: 'Estética também é política'. Ao trançar em cada cabeça, Israiane está devolvendo a suas clientes uma identidade que, por muito tempo, o padrão de beleza tentou apagar. Para ela, cada fio trançado conta uma história e a verdadeira beleza não está apenas em cabelos lisos, mas também nas curvas dos seus cabelos cacheados e no volume das madeixas crespas.

Por Cledson Ferreira, estudante de Jornalismo em Multimeios, produzida na disciplina Redação Jornalística III.

Reilde Pereira - Uma costureira antenada com as transições da moda entre revistas tradicionais e plataformas digitais

Foto: Maria Luiza do Nascimento


Um profissional que se preze, no mundo de alta concorrência, sempre deve estar atento aos sinais de mudança no horizonte do consumidor. Imagine quem vive da moda, de vestir o outro. A costureira baiana Reide Pereira sabe bem o que isso significa. Há pouco mais de três décadas, ela vive, diariamente, a rotina de criar em meio uma profissão autônoma e manual, conforme a demanda de serviços.

Dizer que costureira nunca sai de moda, não é lugar comum, é também uma arte. Historicamente, a profissão de costureira no Brasil ganhou força com a industrialização e as máquinas de costura no século XIX, evoluindo de uma arte doméstica para uma atividade econômica que move o setor de confecções.

A trajetória de Reilde é cheia de nuances que lhe competem o título de mulher aguerrida, sempre pronta para o trabalho. Rebobinando sua história de vida, nada foi fácil até aqui. Nascida no município de Sento Sé, no Norte da Bahia, no ano de 1974, ainda na infância, aos 12 anos, a garota mudou-se para Juazeiro com a família. Não muito longe da sua terra natal, ela já tinha consciência de que a nova cidade podia lhe oferecer um futuro melhor.

 Na adolescência, passou a trabalhar como babá e empregada doméstica para ajudar nas despesas da casa, onde vivia com a matriarca e cinco irmãos. A mãe já era costureira e exercia o ofício dentro de casa, aos olhos dos filhos e da clientela. Nessa fase, a menina Reilde não demonstrava nenhum interesse pela profissão, mas admirava o talento da mãe na arte da costura.

Dedicada aos estudos, após concluir o Ensino Médio, aos 18 anos, formou-se no curso técnico de Contabilidade. Seu objetivo, no entanto, era entrar para faculdade e cursar Direito. Naquele momento, o sonho se via inviável diante a ausência do curso em instituições públicas da cidade e pela falta de recursos financeiros para estudar em uma faculdade particular.

Ao perceber que a remuneração na área contábil era insuficiente, Reilde buscou oportunidades em outros setores. Foi nesse contexto que, de forma inesperada, ingressou em uma fábrica de costura. Ali, aos 17 anos, aprendeu o ofício que havia acompanhado de perto durante a infância e jamais imaginaria seguir a rotina debruçada em uma máquina de costura.

A nova experiência lhe marcou o início definitivo de sua carreira como costureira. Durante a década de 1990 e início dos anos 2000, ela deu um novo salto na profissão que herdou da mãe.
“Tive a experiência importante que foi trabalhar em fábricas de confecção na cidade vizinha de Petrolina (PE), o que me trouxe novos conhecimentos. Em 2005, veio o nascimento de minha filha e tive que deixar o trabalho industrial para a atuar de forma autônoma em casa, produzindo roupas de moda feminina sob encomenda”, conta.

O cenário do ateliê de Reilde é ocupado por tecidos, linha, botões, zíper e máquinas de costura industriais. A rotina é intensa: ela trabalha das 7h às 19h, dividindo o tempo entre a produção das peças e o atendimento aos clientes. Para ela, o maior prazer da profissão está na satisfação de quem encomenda as roupas. “O que mais gosto é ver o cliente feliz com o resultado e receber os feedbacks do meu trabalho”, afirmou.

Anos depois, em 2021, a costureira transferiu o ateliê para a residência da mãe que passou a ter problemas de saúde após ser diagnosticada com complicações de saúde decorrentes da COVID-19 - o que lhe permitiu conciliar o trabalho com os cuidados familiares. Literalmente os ideais do passado ficaram para traz. Reilde agora olha para frente quando o assunto é a profissão que acabou abraçando. “As pessoas gostam de saber que sou costureira. Sempre que conto, logo pedem uma vaga na minha agenda. Defino o preço do meu trabalho conforme a serviço e sou paga de forma justa”, relata a costureira.

Segundo ela, o diferencial da costura sob medida está na exclusividade. “As pessoas gostam de encomendar porque podem pedir exatamente do jeito que querem. É uma peça única, não existe outra igual”, explica. 

Ela aponta que um dos desafios do exercício da profissão em Juazeiro, é a dificuldade de encontrar aviamentos variados e compatíveis com as cores dos tecidos. Ainda assim, ela reconhece que a popularização das redes sociais facilitou o processo criativo. “Antes, as referências vinham das revistas de moda. Hoje, os clientes trazem inspirações do Instagram, Pinterest, Google Imagens e até da televisão. Isso ajuda muito na construção da ideia da roupa”, conclui.
Com uma trajetória profissional construída entre a necessidade e a descoberta, Reilde Pereira agora expande suas habilidades de “costureira antenada” com a modernidade.  Ela transformou o que antes parecia improvável em sustento, identidade e reconhecimento profissional. É uma costureira que transita no corredor da memória afetiva da mãe, a carga de empatia para com sua clientela que lhe depositam confiança.

Por Maria Luiza do Nascimento, estudante de Jornalismo em Multimeios, produzida na disciplina Redação Jornalística III.

Profissões: Multiciência publicará série de perfis de microempreendedores independentes

Foto: Reprodução/Internet

A tecnologia extinguiu algumas profissões antigas e transformou radicalmente muitas outras, exigindo adaptação contínua e novas competências dos profissionais. O embate tecnológico não "acaba" com o trabalho, mas o reinventa, automatizando tarefas repetitivas e criando novas áreas. E o que dizer dos profissionais que seguem nadando contra à maré, usando os caminhos das tecnologias ou não, porém, cada um tem seus “artifícios”, para mantém sua clientela fiel.

Ao longo deste mês de janeiro, a Multiciência vai trazer uma série de reportagens no formato perfil de profissionais que atuam em diversas profissões na região do Vale do São Francisco. Os textos, que serão publicados às quintas-feiras, endossam as estatísticas de pequenos empreendedores que se mantém fiel ao seu ofício, além de se dedicar diariamente ao trabalho que lhe garante renda e necessidade de ampliar o negócio no mapa do comércio informal.

 O conjunto de perfis foram produzidos através da disciplina de Redação Jornalística III, sob a coordenação e edição do professor Emanuel Andrade. Os textos focam na rotina individual de profissionais – homens e mulheres – que concederam entrevistas aos alunos-repórteres sobre a paixão e os desafios diante da rotina de seu trabalho, seja como artesão, pintor, manicure, marceneiro, cabelereira, relojoeiro, costureira, benzedeira, churrasqueiro, além de comerciantes que atuam a labuta da informalidade vendendo de bombons à acarajé. São simples cidadãos que pagam impostos como todos e mostram como ser profissional atento independente de crise econômica.


EMANUEL ANDRADE: A LEITURA DE MUNDO QUE COMEÇA NO “QUINTAL”

Foto: Arquivo Pessoal

Natural de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, a cerca de 270 quilômetros de Juazeiro-BA, Emanuel de Andrade Freire construiu sua trajetória no jornalismo a partir de uma relação com a comunicação, a escrita e a escuta atenta do mundo ao redor. Ainda jovem, em sua cidade natal, encontrou nos livros e nas artes os primeiros estímulos para o exercício da palavra.

Antes  de ingressar na universidade, Emanuel colaborava, de forma voluntária, na Emissora Asa Branca, primeira rádio local de Salgueiro, produzindo programas especiais dedicados à música e à literatura brasileira. Ele assumiu todas as etapas do processo: pesquisa, roteiro e produção de texto. A comunicação, desde então, deixou de ser     apenas interesse para se tornar uma prática.

O passo seguinte foi o ingresso no curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife, onde aprofundou a formação e ampliou os horizontes profissionais. Durante a graduação, viveu experiências fundamentais para a formação jornalística, atuando como estagiário no Cedoc e na produção da Rede Globo Nordeste, e como repórter do Diário Oficial do Estado

A partir da sua formação, sua trajetória se expandiu por diferentes frentes do jornalismo profissional: assessorias de imprensa em organizações públicas e privadas, editoria de revistas e coordenação de projetos de comunicação política e cultural, com reportagens produzidas em diversos municípios do Sertão pernambucano e em áreas da Bahia.

Nesse período, as  coberturas investigativas e policiais lhe deram contato direto com as contradições sociais e os desafios éticos da profissão. Entre as experiências mais simbólicas no exercício de sua profissão, Emanuel destaca a passagem pelo Jornal do Commercio, em Recife (1997-2008), onde integrou equipes responsáveis pela produção de cadernos especiais. Um deles abordou o centenário do fim da Guerra de Canudos que o levou a esse município, no interior baiano, no ano de 1997, para acompanhar de perto como a comunidade ainda percebe os rastros do conflito e a figura de Antônio Conselheiro.

 Foto: Emerson Rocha / g1 Petrolina
A relação com a escrita, no entanto, nunca se limitou à urgência da pauta. Emanuel também é escritor e encontra na literatura um espaço de elaboração sensível da memória, do território e da experiência humana. Publicou livros de poesia, participou de coletâneas e assina a biografia “A Dama do Barro”(2006), dedicada à trajetória de Ana das Carrancas. Esse último livro surgiu do interesse de Emanuel em registrar e preservar a memória de Ana das Carrancas, reconhecendo a importância cultural, simbólica e histórica de sua trajetória para o Vale do São Francisco.

Emanuel ainda integrou o projeto coletivo literário  “Uma Geral do Brasil - Histórias de um menino ribeirinho” (2015), em homenagem à vida e trajetória do cantor e compositor Geraldo Azevedo, com foco em sua origem ribeirinha e sua ligação com o Vale do São Francisco. Durante a pandemia da Covid-19, lançou o livro de poemas “Nada será como antes” (2021), em formato virtual - Ebook, no qual a escrita surge como forma de resistência e cuidado em tempos de incerteza.

A Comunicação Como Formação

Foto: Arquivo Pessoal

Emanuel consolidou uma trajetória acadêmica marcada pela reflexão crítica sobre a comunicação, construída a partir do diálogo entre teoria, prática profissional e território. Desde 2005, é professor do curso de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus III, em Juazeiro, onde ministra disciplinas como Introdução ao Jornalismo e Redação Jornalística I e II.

Para além da sala de aula, Emanuel integra projetos de extensão e pesquisa que articulam educação, comunicação e realidade social. Entre eles, destaca-se o Polifonia, grupo de pesquisa dedicado a investigar as interfaces da comunicação com os contextos culturais, sociais e educativos do Sertão do São Francisco, reafirmando o compromisso com uma produção de conhecimento situada e socialmente referenciada.

Em 2014, esteve à frente da Multiciência, atuando como coordenador da Agência de Notícias. Ainda que breve, essa experiência foi marcada por uma contribuição à formação de novos jornalistas, fortalecendo a produção de conteúdos autorais e o compromisso ético com a comunicação pública. Sua trajetória nesta agência, no entanto, é mais ampla e contínua, marcada pela colaboração frequente com textos autorais voltados à música e à cultura da região, além do trabalho de edição e acompanhamento das produções dos alunos, especialmente no âmbito da disciplina Redação Jornalística II.

Para Emanuel, apesar das profundas transformações tecnológicas e das novas linguagens que atravessam o jornalismo contemporâneo, a essência da profissão permanece inegociável: a busca pela verdade, a verificação rigorosa dos fatos, a ética e o compromisso com o interesse público. Em um cenário marcado pela desinformação e pelas disputas narrativas, ele defende que a credibilidade deve seguir como algo primordial do jornalista.

Ao se dirigir às novas gerações, evita oferecer fórmulas prontas, preferindo estimular a leitura de mundo que começa no “quintal”, assim como o respeito às fontes, a escuta atenta e a clareza quanto ao objetivo real de cada pauta. Entre incertezas e reinvenções, Emanuel Freire aposta na formação sólida, humanística e ética como caminho possível para sustentar o jornalismo, de ontem, hoje e amanhã.


Por Eugênia Cruz, estudante de Jornalismo em Multimeios e colaboradora do MultiCiência.

Do Semiárido baiano para o espaço: conheça o projeto Cactus Rockets Design

Foto: Arquivo do Cactus Rockets Design

O foguetemodelismo pode ser um hobby ou mesmo uma prática educacional, que envolve conceitos de física, química e mecânica das áreas de engenharias que são aplicadas na produção de motores experimentais que são inseridos em miniaturas de foguetes produzidos com diversos materiais como papelão, plástico, madeira, e ao final são lançados de variadas altitudes. No norte baiano, estes experimentos ganham espaço através do projeto de extensão Cactus Rockets Design (CRD), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), que explora a ciência e a engenharia espacial.


Fundado em 2019, a ideia nasceu a partir de uma aula prática de Introdução à Engenharia Mecânica, onde os calouros tiveram a oportunidade de conhecer o projeto FSAE Carcará (Fórmula Society of Automotive Engineers) que desenvolve protótipos de carros de alto desempenho, semelhantes aos de fórmula 1, essa visita despertou nos estudantes a vontade de desenvolver um novo projeto. “Ficamos entusiasmados com os carros de fórmula 1 desenvolvidos por nossos veteranos e surgiu em nossa turma a vontade de realizar experimentos também. Um dos fundadores se apaixonou pelo foguetemodelismo, que se tornou o primeiro projeto de foguete da Univasf e um dos primeiros aqui do Vale do São Francisco”, acrescentou Bianca Lima, uma das fundadoras do projeto.

A CRD vem colocando o semiárido no radar da engenharia aeroespacial. Vinculado ao Colegiado de Engenharia Mecânica (CENMEC) da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), o grupo é composto por estudantes que unem teoria, prática e inovação no desenvolvimento de foguetes-modelo para competições nacionais e internacionais. 


O projeto de foguetemodelismo tem o objetivo de colocar em prática, os conhecimentos adquiridos pelos estudantes ao longo da graduação. Atualmente, a equipe conta com 40 integrantes oriundos dos cursos de Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Computação e Engenharia Elétrica, o que garante uma atuação multidisciplinar no desenvolvimento dos protótipos.


‘‘A participação em um projeto como a Cactus contribui para a formação dos integrantes ao nos colocar  em contato com desafios reais, que vão muito além do conteúdo visto em sala de aula. O desenvolvimento dos foguetes exige pesquisa, planejamento, tomada de decisão, trabalho em equipe e responsabilidade técnica, promovendo uma formação mais completa e aplicada.” explicou Fernanda Freire, atual diretora executiva e capitã da equipe. 


A rotina do Cactus Rockets combina pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e extensão. A equipe é dividida em subsistemas técnicos, como propulsão, estrutura e aerodinâmica, eletrônica, recuperação, satélites payloads (satélite é a parte autônoma do foguete, dentro dele o payload capta informações, acionando e coletando dados),  além dos setores administrativos, gestão, marketing e financeiro. Ao longo do ano, os estudantes realizam projetos, simulações, análises estruturais e aerodinâmicas, testes de bancada, fabricação de peças e elaboração de relatórios técnicos, especialmente voltados para competições como a Latin American Space Challenge (LASC), a maior competição universitária de engenharia de foguetes e satélites experimentais da América Latina.

Os resultados obtidos ao longo dos anos reforçam o crescimento do projeto. Em 2022, com o foguete Galileu-02, a equipe conquistou o 3º lugar na categoria de 0,5 km de apogeu(o ponto mais alto da sua trajetória) e o 12º lugar no ranking geral da LASC. No ano seguinte, o destaque foi o foguete Marie, que garantiu o 1º lugar na categoria de 0,5 km e o 13º lugar geral, entre mais de 145 equipes de 15 países, marcando o melhor desempenho da história do grupo. Ainda em 2023, o foguete Pierre, na categoria de 1 km, alcançou o 17º lugar na categoria e o 35º no geral.
Foto: Arquivo da Cactus Rockets Design | Fim do Primeiro dia de competição da LASC 2025.

Em 2024, o projeto voltou a subir ao lugar mais alto do pódio com o foguete Kepler, vencedor do Festival Regional de Minifoguetes (FRMF), na categoria de 200 metros. Já para 2026, o Cactus se prepara para competir novamente na LASC com dois novos projetos: o Joliot, na categoria de 1 km, e o Bouman, voltado para a categoria de 3 km. Além do apoio institucional da UNIVASF, o Cactus Rockets Design conta com um sistema de patrocínios fundamentais para a manutenção e o avanço das atividades do projeto.


Neste momento, a equipe se encontra no período pós-competição com foco na elaboração de relatórios técnicos e, em momentos de brainstorm(tempestade de ideias),  que irão nortear o próximo ciclo de desenvolvimento, previsto para 2026. A proposta é seguir aprimorando os protótipos e ampliando a presença do Semiárido no cenário da engenharia aeroespacial. “Desenvolver essa tecnologia aqui significa valorizar o território, formar talentos localmente e mostrar que o Semiárido também é um espaço de produção de conhecimento, inovação e futuro”, declarou Fernanda Freire.


Por: Anne Carvalho e Gabriel Matos, estudantes de Jornalismo em Multimeios na UNEB e colaboradores do MultiCiência.


Manuela Pereira: quando a semente da ciência floresce

Foto: Arquivo pessoal
Nascida em Salvador (BA), no dia 21 de setembro de 1983, Manuela Pereira de Almeida teve seu primeiro contato com conteúdos científicos na infância, através de revistas e séries televisivas. Semanalmente, ligava a TV nas manhãs de sábado para assistir ao Globo Ciência, um programa da Rede Globo de Televisão que apresentava de forma didática fatos científicos, sobre variados temas como agronegócio, arqueologia, história, saúde e tecnologia. Em outros momentos do dia, apreciava também mergulhar nas leituras dos tópicos de ciência da Revista Superinteressante, que sua mãe assinava mensalmente.

Foi assim que Manuela desenvolveu seu interesse pela divulgação científica e resolveu prestar vestibular para o curso de Jornalismo em Multimeios, saindo da capital baiana para cursar a graduação na Universidade do Estado da Bahia, no campus de Juazeiro. Em 2002, o ano em que realizou o vestibular da Uneb, um momento marcante, o Conselho Universitário aprovou a adoção do sistema de cotas para pessoas pretas e pardas de escola pública nos cursos de graduação e pós-graduação na Universidade. Manuela seria uma das primeiras pessoas a desfrutar dessa conquista, prestando o primeiro vestibular em 2003, quando iniciou sua trajetória no Jornalismo.

Enquanto graduanda de Jornalismo, atuou como monitora voluntária da Agência MultiCiência, onde adquiriu experiência na escrita e práticas jornalísticas “Foi muito significativo para mim ter estudado sobre isso, compreender o papel de uma Assessoria de Comunicação em uma instituição científica, a linguagem, as especificidades nas pautas, o relacionamento com a mídia”, afirma ela.
Foto: Arquivo Curta na Uneb | Manuela entrevista o cineasta Roque Araújo.
Uma de suas lembranças mais marcantes nessa época foi um artigo da Agência, escrito por ela, publicado no jornal Gazzeta, um dos principais veículos impressos do Vale do São do Francisco na época. O foco do artigo era informar sobre o Programa de Rádio, Mensageiro Rural, em que também atuava como monitora voluntária e o objetivo foi destacar a relevância desse programa e como tratava de assuntos técnicos e científicos acerca da área agrícola em um formato acessível, comunicando de forma clara para um público diversificado de agricultores, trabalhadores rurais e leigos no assunto “Foi o primeiro que eu fiz e que sintetiza as duas coisas que eu me dedicava naquele momento, o rádio e a pauta ciência”, comemora a jornalista.

A monitoria voluntária na MultiCiência também influenciou a escolha do tema do seu trabalho de conclusão de curso (TCC) - “O Jornalismo Científico na Assessoria de Imprensa da Embrapa Semi-Árido”. Dessa vez, ela analisou os fluxos de trabalho na rotina de uma Assessoria de Imprensa, especificamente da Embrapa Semiárido. A culminância do TCC fomentou a oportunidade de conhecer uma empresa pública, conversar com profissionais da área jornalística, e praticar a produção de conteúdo de um jornalismo institucional que interage com a divulgação científica “Foi muito interessante aprender e apresentar isso, além da oportunidade de conhecer e, durante o trabalho, conviver um pouco com o saudoso Marcelino Ribeiro, jornalista da Embrapa, naquele período. Foi muito significativo e importante para mim” acrescentou Manuela.

Entre a graduação e as experiências jornalísticas com a MultiCiência, conhece com profundidade a Educomunicação, durante as disciplinas de Comunicação e Educação I e II, onde conquista o interesse pelo desenvolvimento de ensino e aprendizagem na formação de indivíduos críticos e comunicativos. “Eu me identifiquei com o tema, na disciplina visitamos um projeto no Cariri cearense, em Nova Olinda. Foi bem interessante para mim naquela época, fiz uma matéria que foi veiculada em uma edição do Jornal Cobaias” complementa.

Em 2008, retornou ao MultiCiência à convite da professora Andréa Cristiana, para colaborar com o projeto, fazendo parte da coordenação. Era responsável por organizar reuniões com a equipe de monitores. Nesse espaço, eram articuladas as pautas do mês, e gerenciamento das equipes responsáveis pelas reportagens, além de fazer a correção das redações. Permaneceu por pouco tempo, pois no ano seguinte, começaria a trabalhar como Assessora na Câmara de Vereadores de Petrolina(PE).

Após a graduação em Jornalismo, se especializou em Educação, Cultura e Contextualidade em 2010 pela UNEB com o trabalho “O jornal e a formação do professor - um estudo sobre os usos dos jornais pelos professores da rede estadual em Petrolina (PE)”, e fez o mestrado em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos pelo PPGESA, em 2016, no qual ingressou também pelo sistema de cotas, com o tema “Educomunicação e Práticas de Letramento - um diálogo a partir dos usos das Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)”. A partir da culminância desses trabalhos, Manuela resolve se dedicar a Educomunicação, um campo teórico-prático que busca utilizar a comunicação e a educação para criação de ecossistemas comunicativos nos espaços educativos, mas desenvolvendo uma linha de pesquisa com o objetivo de colaborar para a formação de uma sociedade mais crítica e consumidora da ciência. 

Enquanto concluía seu mestrado pelo PPGESA, em 2016, o curso de Jornalismo em Multimeios abria um processo seletivo para professores substitutos. Ela então decidiu fazer a prova. Passou com sucesso e junto com a professora Andréa, seria umas das primeiras a ministrar o componente curricular Estágio Supervisionado I e II no curso, assumindo a disciplina em outros semestres. Na graduação em Jornalismo, Manuela obteve experiência e atuou em outras disciplinas como Assessoria de Imprensa, Extensão Universitária, Educomunicação, Hipermídia e Práticas de Letramento, Divulgação e Jornalismo Científico.
Foto: Arquivo pessoal | 1º Encontro de Estágio do curso de Jornalismo em Multimeio em 2017

Durante a pandemia causada pela COVID-19, ainda como professora substituta, Manuela retornou à MultiCiência. Nesse momento, os materiais produzidos pela agência tinham o enfoque informativo sobre o vírus e saúde, como evitar a contaminação, práticas saudáveis para saúde mental por conta da necessidade de isolamento social e os impactos na sociedade, entre outros tópicos semelhantes. Nesse período, a educomunicação junto à divulgação científica foram os métodos utilizados na rotina de produção da MultiCiência. Enquanto os estudantes de jornalismo eram motivados a praticarem uma escrita compreensível para a leitura da comunidade e experienciavam a pesquisa científica com foco na COVID-19 e saúde, os leitores da MultiCiência poderiam aprender e desenvolver senso crítico sobre o vírus e a pandemia, como um emissor de informações confiáveis, já que no contexto da época houve uma crescente onda de fake news e desinformação, principalmente por mídias sociais.

Essa experiência profissional emplacaria na sua atuação atual na Assessoria de Comunicação de uma empresa pública, responsável por administrar hospitais universitários em todo país, onde a temática saúde anda lado a lado com a produção científica. “Todo o fluxo que eu estudei ainda hoje são extremamente valiosos, pois agora sou assessora de imprensa em uma empresa pública que também trata dessas pautas”, complementa ela. 

Para Manuela, uma agência de notícias como a MultiCiência, que atua no Semiárido baiano e pernambucano, com divulgação científica e regional, é necessária, para a valorização do território, considerando que a informação científica forma cidadãos críticos e reforça a memória cultural. Ela reforça que a agência fornece um espaço de prática jornalística para os estudantes, ao explorarem multi linguagens, na construção da pauta em pesquisar fontes e ver o resultado do trabalho publicado “Quanto mais pessoas conhecem ciência, mais financiamento e políticas públicas são defendidas” defende ela.

Manuela desde a infância sentia apreço pela ciência e sua capacidade de transformação social, ao encontrar o jornalismo, pôde na prática mesclar o compromisso de uma divulgação científica e contextualizada com o território Semiárido, e junto com a MultiCiência traçou caminhos para a concretização do que um dia foi sua paixão quando criança, a ciência e a comunicação “Para mim foi muito importante, no meu caso, lá atrás não tinha uma clareza do resultado, mas gostava da temática científica e, com isso, fui monitora da Multiciência e a experiência foi basilar para mim. Então, experimentem, conheçam, se comprometam com essas oportunidades. Desejo sucesso sempre e muitas décadas de existência a este projeto. Parabéns a todos vocês ", declarou. 

Por Anne Carvalho, estudante de Jornalismo em Multimeios na UNEB e colaboradora do Multiciência

Galeria virtual resgata memória audiovisual do curso de Jornalismo em Multimeios da UNEB

Foto: Arquivo do Curta na UNEB

Fruto da pesquisa científica intitulada “O Semiárido na tela do Curta na Uneb”, a galeria virtual Curta na Uneb tem o objetivo de reunir produções audiovisuais dos estudantes de Jornalismo em Multimeios, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), cujas temáticas buscam representar o Território do Sertão do São Francisco e suas singularidades. O projeto é uma iniciativa do Colegiado do curso de Jornalismo em Multimeios, sob a coordenação da professora Fabíola Moura e da estudante de jornalismo, Anne Carvalho. 


A galeria possui 41 curtas-metragens que valorizam o Vale do São Francisco como cenário cinematográfico, além de contar protagonismo dos alunos na produção, onde exercem também o olhar jornalístico e artístico na abordagem das temáticas. De acordo com a coordenadora do projeto, Fabíola Moura, a pesquisa científica reúne 20 anos do Curta na UNEB, evento promovido anualmente com o intuito de mostrar à comunidade externa as produções realizadas pelos estudantes do curso, mas que ficou parada desde a pandemia da COVID-19.


“A ideia surgiu para fomentar e dar visibilidade à produção audiovisual do curso de Jornalismo em Multimeios. É uma grande alegria voltar a realizar a mostra num ano tão significativo dos 40 anos do DCH III”, explicou Moura.  


Para consolidar a galeria virtual, foi realizada uma pesquisa documental nos arquivos físicos e digitais das 10 edições do Curta na UNEB. O processo foi organizado por etapas, começando pelo levantamento de arquivos e mídias depositados nas redes sociais, e os vídeos dos curtas-metragens no YouTube; a segunda etapa, foi digitalizado os DVD’s, CD’S e memoriais escritos pelas turmas de cada edição; ao final, todos os arquivos foram depositados no site da galeria, que receberá atualizações quando houver novas edições do projeto. O usuário que acessar o acervo digital, poderá encontrar os conteúdos de todas as edições anteriores do evento, além dos curtas-metragens, memoriais, álbum de fotos e clipagens de materiais veiculados pela imprensa.


Para a estudante Anne Carvalho, a galeria contribui para a preservação da memória audiovisual, tanto do curso de Jornalismo, quanto dos alunos egressos que passaram pela experiência e de futuras edições que possam acontecer. “É importante também deixar registrado o acervo dessa mostra que conta atualmente com 41 curtas-metragens de variados temas contextualizados com nossa região, tornando o Semiárido protagonista das produções dos estudantes”, ressaltou.


O lançamento da galeria virtual ocorreu no último dia 24 de novembro, no Canto de Tudo da UNEB de Juazeiro. A apresentação fez parte da programação da 10ª edição do projeto, realizada pela turma do 7º período do curso, com curtas produzidos no componente curricular Documentário Jornalístico. As produções podem ser encontradas na plataforma Substack, pesquisando por Curta na Uneb. O usuário pode receber atualizações por e-mail, ou acompanhar pelo instagram @curtanauneb e @contextosemiarido.


Por Anne Carvalho, estudante de Jornalismo em Multimeios na Uneb e colaboradora do MultiCiência.


Quando o Semiárido chega ao mundo: a jornada de Guilherme até a COP30

Filho de agricultores e estudante de agronomia, ele levou a experiência da Convivência com o Semiárido e as demandas das juventudes às lideranças globais do clima.

Foto: Arquivo Pessoal

Má distribuição da chuva, desequilíbrio do ambiente  e, consequentemente, áreas de desertificação são os principais desafios que o Semiárido e os agricultores enfrentam no manejo das plantações. Diante dessa realidade, o jovem agricultor Guilherme Delmondes, estudante de Agroecologia da Univasf, saiu do interior de Pernambuco para ser o representante das juventudes dos Semiáridos da América Latina na COP 30, realizada em Belém do Pará.


A partir das experiências de sua família, Guilherme começou a pensar em alternativas para os riscos promovidos pela desertificação e as mudanças climáticas no Semiárido. “Esses processos que a gente vem trabalhando e vem justamente sendo esse destaque que a gente levou para a COP, foram essas práticas, como a cisterna, como as silagens, como os sistemas agroflorestais, as curvas de nível”, explica o ativista. Iniciativas tecnológicas ligadas à proposta da Convivência com o Semiárido, práticas que reforçam a agroecologia e sustentam a agricultura familiar.


A COP 30 é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, um encontro global que reúne lideranças políticas, científicas e sociais para discutir soluções e firmar compromissos voltados ao enfrentamento da crise climática. Esse ano, realizada em Belém do Pará, a conferência destaca temas como justiça climática, preservação ambiental e adaptação das populações mais vulneráveis aos efeitos das mudanças no clima. 


A ida do estudante ao Congresso foi viabilizada pela Organização Plataforma Semiárido, em um processo que durou aproximadamente um ano, entre estudo, participação em discussões e a produção da carta com a demanda dos jovens do Semiárido entregue à Ministra do Meio Ambiente Marina Silva na COP 30. O processo formativo foi feito com aproximadamente 300 jovens, mas, o processo de escolha para a ida ao congresso, selecionou apenas dez pessoas, entre eles Guilherme Delmondes.

Foto: Arquivo Pessoal

A presença de representações do Semiárido, dentro de um evento com tamanha proporção, em que o mundo estava acompanhando vários processos de negociações, oportunizou que os olhos de figuras poderosas, para além da Amazônia, pudessem ver, conhecer e investir na caatinga, por exemplo. “Foi justamente isso que também a gente pautou dentro da COP, no sentido de ser uma oportunidade muito grande de viabilizar fundos de investimento, muito voltado para a Amazônia, mas também a gente lembrando que existe a Caatinga, que existe o Seminário Brasileiro”, afirma Guilherme. 


Ele ainda lembra que a região do Semiárido Brasileiro conta com 30 milhões de pessoas, e muitas dessas estão no campo, diretamente ligadas ao meio ambiente, assim, esses fundos de investimento precisam também voltar para essas populações. Os jovens presentes na COP buscaram inserir nas suas apresentações e, nos espaços em que estavam, a importância dessa região no cenário brasileiro, a quantidade de pessoas e quanto é importante também investir e trazer recursos para essa parte do Brasil. A partir disso, os jovens, por meio do documento “Manifesto das Juventudes dos Seminários da América Latina” produzido na trilha formativa das juventudes com a COP30, reuniram todas as principais demandas dos jovens agricultores que convivem com o Semiárido para que assim informassem os anseios dessa população aos representantes, já que o acesso às salas de negociações (bluezone) não permitiam a livre circulação de pessoas não autorizadas. 


O manifesto foi entregue a diversas representações, entre elas, a Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, na esperança de que medidas passem a ser tomadas em prol dos anseios desses jovens. Esse documento ressalta que a falta de políticas públicas é a raiz do problema dentro do cenário de desertificação e demais dificuldades na Convivência com o Semiárido.

Intitulada como a COP do povo, pela participação social perceptível, Guilherme acredita que isso tenha ressoado na mesa de negociações entre os países. O estudante afirma a participação na COP30  como positiva para o Semiárido e, apesar de saber que não terão respostas de forma imediata, pela forma burocrática a qual as coisas se resolvem entre os países, sente que fez um bom trabalho e que os grandes representantes ao menos possuem consciência do que acontece nessa região. 


“Acho que foi uma grande, grande oportunidade de entender que se a gente se organizar nessa perspectiva coletiva e também individual um pouco também, a gente consegue avançar muito e chegar nesses espaços, porque se não fosse esse processo de forma coletiva, de várias juventudes e também de várias organizações contribuindo, indicando, fazendo, colocando recursos, nenhum desses jovens, nem eu estaríamos lá.”, conclui Guilherme. Com uma imagem positiva sobre a experiência, ele retorna com a certeza de que pelo menos o nome caatinga foi reconhecido nos debates, um grande passo na discussão sobre os biomas e principalmente, para a proposta da Convivência com o Semiárido.


Por Rayssa Keuri e Mellyssa Cavalcanti, estudantes de Jornalismo em Multimeios na Uneb e colaboradoras da Agência de Notícias MultiCiência.