Lixo e desperdício

0 comentários

A Jornalista Patrícia Telles flagrou o desperdício de alimentos no Mercado do Produtor em Juazeiro.




Fotos: Patrícia Telles


Leia Mais…

“Espelho, espelho meu: de que modo a educação aconteceu”

0 comentários


Cadernos de professores, livros de atas, fotos de eventos, fichas de estudantes, jornais e revistas. Estes guardados ajudam a constituir a memória educacional de Juazeiro e estão presentes na exposição “Espelho, espelho meu: de que modo a educação aconteceu”, aberta ao público até 26 de novembro no Departamento de Ciências Humanas (DCH), da Universidade do Estado da Bahia.

A exposição só foi possível graças ao empenho inicial da pesquisadora e professora primária Maria Franca Pires, que se dedicava a recolher materiais de acontecimentos significativos de sua época com a intenção de instaurar um arquivo público da história juazeirense.

Maria não chegou a ver a realização de seu intento. Ela faleceu em 1988, aos 67 anos. Contudo, o seu arquivo pessoal foi doado à professora Odomaria Rosa Bandeira Macedo, historiadora, antropóloga e professora do DCH III, que coordena o projeto de pesquisa "O arquivo da profª Maria Franca Pires: memória e história cultural em pesquisa na região de Juazeiro/BA". Nesta entrevista, a professora fala da importância da preservação da memória cultural de Juazeiro e da exposição com os materiais guardados por Maria Franca Pires.


Agencia MultiCiencia: Como surgiu a iniciativa de fazer um projeto com o trabalho de pesquisa da professora Maria Franca Pires?

Odomaria Macedo (OM): O conhecimento que tinha da pesquisa intuitiva realizada pela professora Maria Franca, na qual reconhecia uma importância, além do afeto e afinidade pela pessoa que fora Maria; nosso interesse por história e cultura, nossas histórias de professoras, de mulheres de atuação na sociedade. Quase 15 anos após a morte dela, sua família convocou-me a receber o arquivo que resultara daquele trabalho. Eu atendi, o recebi e diante dele achei que o destino digno a dar para tanto trabalho que Maria teve e o lugar certo para seu legado seria o DCH-UNEB, juntamente com a apresentação do projeto de pesquisa O arquivo da profª Maria Franca Pires: memória e história cultural em pesquisa na região de Juazeiro/BA. O DCH III acolheu o arquivo em 2005 e de lá para cá trabalhamos com ele. Não é um trabalho de rápida execução, consiste na produção de fontes documentais a partir de materiais, fontes escritas ou fontes orais, como fotografias, jornais, revistas, cartas oficiais ou pessoais, cartazes, panfletos, cadernos de notas, diários, discursos, calendários, convites, flâmulas e muitos outros objetos. Fazemos o trabalho de levantamento do fundo do arquivo, inventariar e catalogar o acervo, classificar cada material com vistas a torná-lo disponível ao acesso das pessoas interessadas em conhecer a história e compreender a cultura regional.


Multiciencia: Qual a importância do acervo?

Odomaria: Sua importância está no volume e variedade de informações que se encontra em diversos tipos de materiais, através dos quais se pode desenvolver o conhecimento sistemático sobre muitos aspectos históricos da cultura regional, em Juazeiro e Petrolina, como técnicas, tecnologias, valores, tipos de conhecimento, a educação escolar, a comunicação, etc. Para os pesquisadores da história local, esse trabalho virá a suprir uma lacuna lastimável de fontes documentais de que se ressente Juazeiro e Petrolina, dois pólos regionais que não dispõem de espaços públicos para acesso a acervos de documentos como esses. Na pesquisa realizada pela profª Maria Franca, observa-se que já estava presente uma preocupação dela com esse tipo de problema da cultura regional e a vontade e esforço de resolver isto. Nos seus registros pessoais encontra-se a justificativa para todo o material recolhido por ela, que era a implantação de um arquivo público em Juazeiro. Mas, isso ainda não aconteceu até a presente data, embora a professora tenha se empenhado há tanto tempo atrás.


AM: O que evidenciam os elementos presentes nesta exposição?

OM: Nos cadernos das professoras Maria Franca Pires e Emília Mattos Cajé evidenciam-se o exercício profissional do professor de então; algumas práticas escolares típicas como planos de aula, programação de eventos, os conteúdos do ensino escolar, as técnicas e recursos pedagógicos. Nos livros de ata da associação de pais e mestres, destaca-se o movimento docente de organização da categoria, as preocupações dos professores com os alunos, a busca da presença dos pais no processo educacional escolar, a consciência da escola de que a sociedade encontrava-se em mudança na década de 50 e 60, e de que isso se constituía em uma questão a ser trabalhada e enfrentada por todos através da escola. Nas fotografias, os rituais escolares, os momentos de formação técnica profissional do professor, os eventos de integração da categoria docente. O diário de classe da escola da Professora Maria Franca contém as experiências vivenciadas em agosto de 1956, por ela com seus alunos do 4º ano primário na turma daquele ano. Nas revistas e jornais, constam as preocupações sociais e a visão que se tinha sobre a educação escolar. Assim, se evidenciam as condições, limites e desafios da educação escolar entre as décadas de 50, 60 e 70 do século XX diante das mudanças rápidas e intensas que se manifestavam naquele momento, especialmente pela crescente presença dos meios de comunicação de massas. Existem ainda as questões de gênero que marcaram os comportamentos, os procedimentos na escola; os entraves das políticas públicas de educação; as questões técnicas da qualificação profissional docente, as relações de poder na prática escolar, a estrutura do ensino na escola, enfim, o caráter público e os níveis de qualidade educacional na concepção da educação como direito.


Multicência: Como surgiu a idéia de fazer a exposição?
Odomaria: Em tudo que vemos, nas formas e conteúdos observados, nos materiais que compõem o acervo de memórias da educação escolar, pode-se ver o modo como se deu a educação e como os professores se autoformavam. Além disso, aparecem junto as imagens da educação escolar que insurgem nessa memória e que se processa na atualidade, levando-nos a pensar sobre a escola e sua trajetória do passado ao presente. Com isso está o porquê da abordagem que fazemos nessa exposição, de onde surgiu a idéia de fazê-la. Atuando sobre nós como um espelho, a memória da educação que se apresenta possibilita-nos refletir os educadores que somos, a escola que temos, a educação que realizamos, e o lugar de tudo isso no contexto atual. A mostra é especial sob muitos aspectos. Através dela, podem-se ver perfis biográficos de alguns professores, como nos demonstra Juliana Pires Machado no livro-reportagem Maria Franca Pires: entre papéis e vozes, lançado na abertura dessa exposição. Trata-se de um ensaio biográfico produzido através dos materiais que compõem o arquivo. Outros personagens têm sido delineados em perfis biográficos como Édson Ribeiro, através de Luis Osete. Outros poderão ainda ser pesquisados.

Por Edilane Ferreira e Naiara Soares
Foto: Kall Britto

Leia Mais…

História de Pescador concorre a final do Festival 5 minutos

0 comentários

O curta História de Pescador, finalista do Festival Nacional 5 Minutos, foi exibido ontem no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro. O vídeo é uma produção de Natália Carneiro e Raphael Freitas, com direção de Carlos Santana, alunos do 5° período de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia.

Ao documentar o drama de um pescador que vive às margens do Velho Chico, o vídeo mostra como a poluição afeta diretamente a vida dos ribeirinhos. O pescador Erenildo de Souza, mais conhecido como Leleco, narra a fartura de outrora e revela a importância do Rio São Francisco na sua vida.


História de Pescador é um dos 50 finalistas da 13ª edição do evento, que teve sua abertura no último dia 16, em Salvador. A mostra competitiva começou no dia 17, simultaneamente, na capital baiana e em 10 cidades do interior e segue até esta sexta-feira (20/11). A final será no sábado, dia 21, em Salvador.Com premiação total de R$ 30 mil, o festival aproxima o público da 7ª arte através do Voto Popular.

Redação MultiCiencia
20/11/2009

Leia Mais…

Consciência Negra é discutida em Escolas Estaduais

0 comentários

Auto-preconceito, subjetividade, acesso à educação, políticas de cotas, arte, culinária, música, dança e moda. Estes temas serão discutidos pelos alunos do curso de Letras do Programa Especial de Formação de Professores do Estado (PROESP), durante a realização da segunda Oficina Interarticular, que acontece hoje (19/10) e amanhã (20/10), nas Escolas Estaduais das cidades de Juazeiro, Uauá, Sobradinho e Curaçá.

O evento pretende discutir os modos de representação do negro na sociedade, em virtude da comemoração do 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Para discutir a temática, serão desenvolvidas oficinas pelos alunos-professores do PROESP junto com os estudantes das escolas estaduais. As oficinas constituem uma oportunidade dos professores-alunos de Letras discutirem com os seus alunos problemáticas atuais relacionadas ao negro e fomentar a reflexão de novos conceitos.

Em Juazeiro, as atividades se concentram na Escola Normal Edvaldo Machado Boaventura durante os turnos manhã, tarde e noite; e na Escola Pedro Raimundo Rêgo, durante a tarde e noite (quinta-feira) e tarde de sexta-feira.

O PROESP é um programa coordenado pelo Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, que visa oferecer graduação em Letras aos professores que já atuam nas escolas estaduais, contudo não tem licenciatura especifica na área.

Redação MultiCiência

Leia Mais…

"É uma rua com casinhas bem juntinhas, uma colada na outra..."

4 comentários

Cafetões, freqüentadores de bordéis, antigas prostitutas e moradores da comunidade. Estes são os protagonistas do documentário Rua do Fogo - Memórias do Baixo Meretrício, produzido pelas cineastas e estudantes de jornalismo da Universidade do Estado da Bahia Kall Britto e Laura Ferreira, exibido no III Encontro de Cinema Negro Brasil/África e Américas, que começou na última segunda (09/11) e segue até a próxima quinta-feira (19/11), no Rio de Janeiro (RJ).

O curta-metragem de 25 minutos, lançado dia 3 de outubro na própria Rua do Fogo, bairro Alto do Cruzeiro em Riachão do Jacuípe, conta como os bordéis dinamizavam a cultura e a sociedade jacuipense nas décadas de 40 e 50. Laura Ferreira, em entrevista, conta como foi o processo de produção do vídeo, fala de prostituição e preconceito e de histórias e mudanças na Rua do Fogo ao longo do tempo.

Como nasceu a idéia de fazer um vídeo sobre a Rua do Fogo?

Laura Ferreira: Eu já tinha esse desejo, pois freqüento a Rua do Fogo desde criança. Embora nunca tenha morado lá, tenho familiares: meu avô, alguns tios. Desde pequena ia com minha mãe aos fins de semana. Fui crescendo e percebendo um lugar bem místico, bem diferente. O meretrício lá em baixo e lembro que minha mãe dizia assim, “olhe, só brinque até aqui, não desça porque ali só tem cabaré”. Então, fui fomentando essas coisas em minha cabeça. Depois, li um livro, A louvação das prostitutas de Riachão do Jacuípe ao glorioso São Roque, de Nete Benevides. O foco do livro é a lavagem que as mulheres faziam e ainda fazem. Hoje, a manifestação está mais fraca devido a falta de apoio para dar segmento, mas ainda existe. No livro, embora ela fale da lavagem, fala do contexto da Rua do Fogo e das pessoas, as primeiras donas de cabaré, os cafetões, enfim, eu achei encantador. Ainda criança acompanhei o período de declínio dos cabarés, mas que ainda estão presentes na memória da cidade. De férias em Riachão, fiz umas imagens lá e colhi alguns depoimentos de moradores. Quando retornei para Juazeiro mostrei para Kátia e ela achou bacana, e pensamos em fazer um doc. É uma produção minha e de Kátia.

AM: Gostaria que descrevesse a Rua do Fogo.

É uma rua estreita que vai se enlarguecendo, com casinhas bem juntinhas, uma colada na outra. Um bairro humilde, constituído de moradores de baixa renda, descendentes das fateiras. A afrodescendência é muito marcante. Tem também o rio Jacuípe, que corta toda a Rua e boa parte da cidade. Na beira do rio, as antigas profissionais do sexo criavam seus filhos, tratavam os fatos de boi, pescavam. A Rua do Fogo gerava a economia da cidade e a prostituição era só uma conseqüência. Lá, tinha fábrica de balas, chumbaria, batedeiras de sal, olarias na beira do rio, tudo na Rua do Fogo ou adjacências. Os antigos bordéis deram lugar a casas comerciais e a igrejas evangélicas. O nome fogo, no livro de Nete, explica que, nos anos 40, teve um incêndio na Petrobrás em Salvador (BA) e aí eles associavam, “essa mulher tem um fogo, o fogo da Petrobrás”, então ficou Rua do Fogo. É até comum em outras cidades que tem um meretrício a rua ser chamada de Rua do Fogo.

AM: Como era a vida noturna em Riachão do Jacuípe?

Naquela época, a vida noturna era somente na Rua do Fogo. Doutores, filhos da elite de Riachão que estudavam em Salvador, iam para Riachão no fim de semana curtir na Rua do Fogo. O Centro, a rua de Cima, como Nete fala no livro, era da elite. E lá, tinha horário para dormir, acordar, e não podia ter barulho, por isso as mulheres do baixo meretrício eram impedidas de subir. Na época, tinha um sargento que ficava na vigília e quando elas ultrapassavam... “Ó, você não pode, você tem que descer”. E aí elas tinham um amigo de confiança delas, uma espécie de cafetão, que combinava os encontros, e ia comprar remédio em farmácia, botar e pegar carta em correio, porque elas não podiam ter esse acesso. Só as mais ousadas como Cheirinho, segundo seu próprio depoimento, é que enfrentava e subia. A prostituição em casa noturna até hoje é marcada pela exploração. Elas falam que, não ganhavam bem, eram exploradas e que, às vezes ficavam endividadas, pois davam todo dinheiro para os cafetões e por isso não podiam sair da vida.

AM: O que mudou do que era a Rua do Fogo antes para hoje?

Os depoentes deixam bem claro no vídeo que a Rua do Fogo não é mais a mesma, que o meretrício praticamente acabou. Não é o meretrício de antigamente, aquela agitação, um bordel colado no outro, profissionalizado mesmo, mulheres de fora atraídas. Hoje é outra configuração. São mulheres de Riachão mesmo, a maioria casada, e separada de marido, que aí fazem programas. Hoje, nem chamam mais de bordel, nem de casa noturna, porque elas não dormem e vivem lá, não tem uma relação de meretrício. O que tem lá são mulheres que vão durante o dia, que elas chamam de ponto de encontro ou de reservado, um bar reservado, ou seja, aquele que tem um quartinho no fundo. Uma das depoentes, que ainda trabalha com bar, disse que deixa praticamente os quartos fechados e não tem mais aquela efervescência, as mulheres não moram mais nessas residências. É outra Rua do Fogo. Embora fosse agitado, agoniado, segundo os depoentes, não tinha violência. Hoje eles falam que, devido as drogas, eles não têm mais aquela tranqüilidade de deixar a porta aberta, de dormir com a janela aberta até mais tarde, que é comum em cidade interiorana como Riachão, no calor, enfim. A droga é uma das questões que eles mais tocam quando se fala da rua hoje.

AM: Como é a relação da Rua do Fogo com a comunidade jacuipense hoje?

Eu diria que não há relação, vejo o bairro como um todo marginalizado pelo poder público, as pessoas que passaram a freqüentá-lo foram obrigadas a isso, pois muitos cabarés viraram casas comerciais, mas é uma relação restrita a isso, à compra e vendas. Antigamente, quando o cortejo da procissão da igreja católica tinha que passar pelo Alto do Cruzeiro, o padre passava, mas dizia “quando estivermos passando naquele ambiente, virem a cara para o lado esquerdo ou então olhem para o céu”. Minha mãe e outras pessoas mais antigas contam isso. Hoje nem o cortejo passa mais na Rua do Fogo.

Por Naiara Soares, texto e foto

Leia Mais…

O destino na palma da mão

2 comentários


Como a maioria dos meninos do sertão nordestino, Josemar Martins poderia seguir a trajetória de seus pais, que, com pouco ou quase nenhum estudo, trabalhavam na roça o dia todo. Agricultores, eles tinham um sítio no povoado de São Bento, próximo a cidade de Curaçá. Foi lá que o menino Josemar cresceu e aprendeu a ler com seu pai que incentivou os cinco filhos a estudar.

A força de vontade do pai em educar os filhos levou a família a mudar-se do sitio para tentar a vida em outro lugar. Durante a saída, foi necessário levar as vacas, ovelhas, cabras e os poucos pertences para a beira do rio. Nesse processo, boa parte se perdeu. Passaram um ano morando às margens do rio em um terreno que era de sua avó, antes de ir para a cidade de Curaçá. Para Josemar, essas mudanças foram traumáticas. Além de ter deixado uma vida para trás, o lugar onde estavam era ainda pior que o de antes. Contudo, foi nessa época que a vida do menino começou a mudar.


Na cidade, ele teve contato com um mundo muito diferente do que ele conhecia. A vida nova trazia outros referenciais, causando preocupação de seu pai. Foram oportunidades que surgiram e eram aproveitadas. Josemar, que já se aventurava com os primeiros versos, alcançou o terceiro lugar no concurso de poesia da Primeira Semana Cultural de Curaçá. Sua primeira poesia lhe rendeu muitas outras. Em 1986, lançou o livro “Come-Tendo Poesias” com seu amigo Pinduka.

Depois de certo tempo morando em Curaçá, começou a se relacionar com os artistas de teatro na cidade. Para ele, o teatro é uma oportunidade de se repensar como pessoa, de rever seus valores, de se descobrir. O contato com a arte fez com que sua visão de mundo se transformasse, o que era refletido no seu estilo de vida. As roupas mudaram, o cabelo cresceu, e foi o primeiro homem a usar brinco em sua cidade. O rapaz, que vinha da roça, se reconstruiu fazendo teatro e, como conseqüência, conflitos começaram a surgir.

As relações sociais ficaram abaladas devido a sua atitude de colocar o brinco. Josemar não imaginava que pagaria um preço tão alto por isso. Foi considerado homossexual pelos moradores. Suas atitudes, hábitos e poesias provocavam comentários na pequena cidade, que chocaram seus pais.

As poesias que escrevia fugiam da tradição da época de frases rimadas e temas agradáveis. Suas composições traziam conteúdos de crítica social que se aproximava muito da poesia moderna. Para ele, esse foi o período de sua vida de maior aprendizado, foi sua maior escola. A partir daí, surgiu o desejo de ingressar em um curso superior, veio morar em Juazeiro para prestar vestibular de pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Juazeiro, hoje Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Assim que ingressou na academia, participou de movimentos culturais, estudantis, dos debates ocorridos na época, vivenciou a primeira eleição direta para diretor do Departamento de Ciencais Humanas (DCH III), quando foi eleita a professora Giovanna De Marco. Foi presidente do Diretório Acadêmico e fez teatro de rua na UNEB. Vivenciou tudo que a Universidade lhe proporcionava. Engajou-se nas lutas sociais, pois tinha esperanças de ver um mundo melhor. “Para mim foi fantástico, ter convivido com as pessoas que convivi, ter acampado, ter viajado, ter me embriagado, foi maravilhoso o tempo que tive como aluno dentro da Universidade. Acredito que perdi muito pouco do que ela pode me oferecer”, conta um sorridente Josemar, ao relembrar a época.

Durante o período universitário, ele precisou estudar à noite e trabalhar durante o dia como balconista de papelaria no comércio de Juazeiro. Para ele, o trabalho era um universo cruel. Preferiu sair do emprego e fazer serigrafia, vendendo, na Orla de Juazeiro, camisetas com poesias suas e de outros autores. Ao concluir o curso, prestou concurso em março de 1994 para professor efetivo da UNEB, e, naquele mesmo ano, ministraria aula para amigos da turma e portadores de diploma. Logo em seguida, fez especialização em Gestão de Temas Educacionais, pela Pontifícia Universidade Católica em Minas Gerais (PUC-MG).

Em 1998, ingressou no mestrado em Educação e Desenvolvimento Sustentável pela UNEB, ministrado por professores do Canadá. Na ocasião, Josemar voltou à sua cidade de origem para desenvolver a sua pesquisa em educação com depoimentos de várias pessoas e imagens do local. Para ele, foi um trabalho bastante gratificante. Seu diploma foi entregue em 2003, mas já, em 2002, fez a seleção para Doutorado na Faculdade de Educação, da UFBA, e foi aprovado. Em 2006, com a tese Tecendo a rede: Notícias Críticas do Trabalho de Descolonização Curricular no Semi-árido Brasileiro, Josemar tornou-se Doutor em Educação.

Hoje, Josemar Martins é professor da UNEB, mais conhecido como Pinzoh. O apelido adquirido na quinta série, quando errou o nome de um dos navegadores das embarcações de Colombo, Vicente Yáñez Pinzón, o acompanha durante toda a sua vida. Pinzoh casou-se, teve filhos e hoje, ao voltar ao seu lugar de origem, é chamado de doutor. Mas considera que, embora seja proveitoso percorrer todas estas etapas em um curto espaço de tempo, isso o privou de oportunidades.

“A minha vida é uma média das coisas que eu queria fazer e das que eu consegui fazer. Agora, estou numa fase de desacelerar. Quero correr menos, trabalhar menos e viver mais”, declara o professor e acrescenta serem apenas ideais, e não sabe quando serão cumpridas. Atualmente, trabalha com Educação, Comunicação e Cultura, desenvolvendo projetos nestas áreas. No momento, ele pretende realizar pesquisas para o seu pós-doutorado, a ser iniciado no próximo ano.

A vida de Josemar Martins tinha todas as condições para ser bem diferente do que é hoje. “Eu tinha todos os pré-requisitos de um fracassado. Sempre ouvi que nunca daria certo, mas tomei essas situações como um desafio para provar o contrário”, afirma Pinzoh, descrevendo a sua história.

Ao olhar sua trajetória, é possível perceber que não é necessário possuir as condições ideais para transformar o próprio destino. Basta ter coragem e força de vontade para vencer desafios e construir um final diferente com as próprias mãos, como descreve Pinzoh em sua primeira poesia A mão:

A mão não faz planos
Mas transforma o ser humano em um guerreiro
Pois é com a mão que o guerreiro batalha
E quando ela não falha ele vence tudo


Por Nilzete Brito (texto)
Foto Arquivo Pessoal J.Martins

Leia Mais…

DTCS abre pré-inscrição para curso de capacitação em Meliponicultura

0 comentários

O Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro, promove pré-inscrições para o Curso de Capacitação em Meliponicultura: “Uso Sustentado de Abelhas Sem Ferrão na Região Semiárida do Estado da Bahia”. O curso acontece entre os dias 14 e 16 de janeiro e as vagas são limitadas.

O evento tem como objetivo ampliar os conhecimentos a respeito da meliponicultura, atividade de criação racional de abelhas sem ferrão, na região semiárida. Também oferecem técnicas que tornem mais viáveis e mais prática a criação dessas abelhas.


Criadores, técnicos e estudantes da região podem se inscrever no curso. A taxa de inscrição é de R$ 40 e deve ser feito no DTCS, na Avenida Edgard Chastinet S/N, Bairro São Geraldo, CEP: 48905-680 Juazeiro – BA ou através de depósito identificado no Banco do Brasil em nome de COOPERFAJ. Agencia: 4264-1 Conta Corrente: 14350-2.

A taxa pode ser substituída pela doação de um cortiço/enxame de qualquer uma espécie de abelha sem ferrão: mandaçaia, moça-branca, Irai, Jandaíra, Jataí, Mosquito, Munduri, Tubi, Cupira, etc. As doações serão utilizadas para meliponário em construção no DTCS.

Para mais informações, os interessados podem entrar em contato com Márcio Pires de Oliveira, estagiário do setor de produção animal, pelos telefones: (74)88031683/ (74)3611-7363 ramal 227.

Por Emerson Rocha

Leia Mais…